E os meus?

RELATO PESSOAL SOBRE O ATO DO DIA 1º DE MAIO CONTRA REPRESSÃO, AS REFORMAS  E A VIOLÊNCIA POLICIAL

Em tempos de drogas pesadas como a aprovação no Parlamento dos ajustes fiscais por 20 anos, com o objetivo de congelar por duas décadas os gastos públicos, reduzindo as verbas para saúde e educação; a aprovação da lei das terceirizações do trabalho que revoga grande parte da CLT, reduzindo direitos, salários e garantias de trabalho; a reforma do ensino médio que reduz as disciplinas de ciências sociais, Além de tudo isso tem a futura aprovação da reforma trabalhista e reforma da previdência que acaba de vez com os direitos dos trabalhadores, que foram conquistados com muita luta na década de 40 do século passado.
Mas nesse 1º de maio uma coisa me chamava bastante atenção e comecei a indagar durante toda ato que acontecia de forma pacífica e ordeira na Cinelândia, centro do Riod de Janeiro. Dia tão representativo na vida do trabalhador brasileiro, um dia de descanso e de repor as energias que para muitos, sinônimo de férias inesperadas, ainda mais quando o feriado cai em um início de semana. Voltando na luta, de tirar um governo ilegítimo e com propostas autoritárias eu indaguei a seguinte pergunta: Será que os meus irão se aposentar? Vai dar tempo? Será que nós  alcançamos os trabalhos com carteira assinada com os fins dos direitos que ainda nos sobram?
As pessoas negras morrem em sua maioria antes dos 65 anos, que é a idade mínima para se aposentar pela reforma da previdência proposta e muitas delas começam a contribuir com a previdência na casa dos 30 (sim, negros podem se aposentar aos 79 anos se contruibuir de acordo com Temer), e não estou dizendo isso da boca para fora, pesquisas apontam isso todos os dias.
A luta por um país sem desigualdade é justa e digna de mobilização, unidos temos voz e precisamos acreditar nisso. Porém a grande retórica aqui é: A VOZ PRETA TEM QUE ECOAR, a voz do morro tem que bradar em todos os lugares: atos, manifestos, redes, discussões, etc.  Afinal, foram a força dos braços e garra dos nossos antepassados que essa nação foi construída, e sim, não exagero e me orgulho disso.

Quase metade das pessoas de 16 anos ou mais de cor preta ou parda ocupadas estão em trabalhos informais: uma taxa de 48,7%, contra 34,7% na população branca, diferença que pouco se alterou ao longo da década e que na vida do jovem negro tende a permanecer (e eu digo isso por vivência e não por número pesquisados,sim, por ver ao meu redor).
Se você não acredita o ato hoje mostrou que os meus estavam vendendo água, cerveja, refrigerante e etc, enquanto, o restante manifestava. Sim, a carne do mercado ainda é a carne negra, sim o negro não foge do trabalho, mas também não tem os beníficios do fim dele. Fiz alguns registros do ato hoje, não como forma de expor ninguém e sim como forma de ecoar as nossas prioridades, que infelizmente, ainda não são vozes equinâmes. #JuntosSomosMaisFortesENãoPodemosNosEsquecer

Essas fotos são uma obra intelectual protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98.

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