VAMOS FALAR DE RESPONSABILIDADE AFETIVA?

 

Tem vídeo novo no canal gostosin no azeite e estamos falando de um assunto fundamental para nós negros, como anda a nossa saúde afetiva? tá tendo responsabilidade afetiva ou só dependência?

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O Rio que o Cristo Redentor não abraça

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Após 1 ano das minhas visitas a Jardim Gramacho, e outros 39 anos de políticas públicas inoperantes no mesmo local, vejo que o trabalho das Ongs mostra um papel muito importante para construção de um cenário mais leve e que de certa forma possibilite a ter esperança ou pelo menos água para alguns dias. Através de uma outra crônica minha chamada “O Brasil de Jardim Gramacho” a ONG Reviva, que fez um expedição incrível no bairro, me convidou para narrar os contrastes sociais que o bairro enfrenta.
No dia 05 de abril de 2016 eu ouvia a seguinte frase: “aqui nem água para beber tem, muito menos esperança!”, enquanto entrevistava uma das fontes no bairro de Jardim Gramacho para uma reportagem de umas das disciplinas do curso de Jornalismo. Confesso, essa frase ecoa nos meus ouvidos até hoje e acredito que sempre ecoará, pois, se analisarmos a fala dessa pessoa, ela não justifica apenas o fato de não ter água salobra para beber, ou que já teve água disponível e hoje foi cortada, ela simplesmente fala “aqui nem água para beber tem(…)”. Ecoa. Toda vez que eu abro a minha torneira e a água jorra de maneira tão rica e pura, logo me vem à memória essa frase juntamente com toda atmosfera do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, toda desigualdade social do Rio de Janeiro escondida, onde revela a parte que o Cristo Redentor dá as costas.
Certa vez li que o Brasil é um país com cerca de 3% da população mundial e que possui 12% da água potável superficial do planeta, algo que comprova existência dessa água abundante em minha torneira. Entretanto, quem tem direito a essa água? O Brasil com país signatário, diz que o direito humano à água é um direito de todos, sem exceção, e que o país têm a obrigação de respeitar, proteger e cumprir a realização desse direito, por meio da ampliação dos recursos humanos e financeiros juntamente com políticas públicas que assegurem sua efetivação. Argumentos que na teoria são ótimos, na prática… Bem, se olharmos para Jardim Gramacho comprovamos que essa prática deixa a desejar. Acredito que o bairro é só uma pequena ponta desse Iceberg, e que a escassez de água é um dos menores problemas enfrentados diariamente.
Parafraseando uma música do cantor Criolo, onde ele diz que “só pode falar de vida quem vive/ Só pode falar de sofrimento quem sofre/ Só pode falar de amor quem ama (…)” peço licença para assumir o papel de amplificador das vozes do lixão de Gramacho, sim, é esse mesmo que foi desativado em 2012, que ainda continua recebendo toneladas de lixo de forma clandestina, com dezenas de familias desempregadas, com crianças sem ter o que comer por dias, muitas delas no auge da sua fase de aprendizado sem nunca ter ido a escola, onde as drogas são um convite para amenizar o sofrimento diário, lugar que a água potável de vez em quando chega mas não pelas torneiras, onde toda sexta-feira policiais corruptos chegam para receber dinheiro de propina do tráfico, lugar que o lixo é visto como riqueza e uns se apropriam deles para lucrar, pior que isso, só o cheiro de plástico queimado, gás metano exalando, chorume e montanhas lixo.
O que mais me faz sofrer é o sentimento de impotência, mesmo dando o máximo para que essas vozes sejam ouvidas. Entretanto, não devemos nos culpar (quando digo nós, refiro a todos os voluntários/ativistas presentes), precisamos politizar essas dores e reverberar essas falas, dando uma visibilidade maior, mesmo que doa, ajudando as famílias e denunciando casos de violação contra os direitos humanos. Mesmo que demore um ano, dois, uma década, um século, essas feridas sociais precisam ser cicatrizadas. Com fazer isso? Transformar a dor, a fome, o desespero e a falta de esperança dessas pessoas, em luta.

 

Estou com uma coluna quinzenal na ONG Reviva para conferir bastar curtir a página

 

 

Por: Cleyton Santana Coluna: Denuncia.

E os meus?

RELATO PESSOAL SOBRE O ATO DO DIA 1º DE MAIO CONTRA REPRESSÃO, AS REFORMAS  E A VIOLÊNCIA POLICIAL

Em tempos de drogas pesadas como a aprovação no Parlamento dos ajustes fiscais por 20 anos, com o objetivo de congelar por duas décadas os gastos públicos, reduzindo as verbas para saúde e educação; a aprovação da lei das terceirizações do trabalho que revoga grande parte da CLT, reduzindo direitos, salários e garantias de trabalho; a reforma do ensino médio que reduz as disciplinas de ciências sociais, Além de tudo isso tem a futura aprovação da reforma trabalhista e reforma da previdência que acaba de vez com os direitos dos trabalhadores, que foram conquistados com muita luta na década de 40 do século passado.
Mas nesse 1º de maio uma coisa me chamava bastante atenção e comecei a indagar durante toda ato que acontecia de forma pacífica e ordeira na Cinelândia, centro do Riod de Janeiro. Dia tão representativo na vida do trabalhador brasileiro, um dia de descanso e de repor as energias que para muitos, sinônimo de férias inesperadas, ainda mais quando o feriado cai em um início de semana. Voltando na luta, de tirar um governo ilegítimo e com propostas autoritárias eu indaguei a seguinte pergunta: Será que os meus irão se aposentar? Vai dar tempo? Será que nós  alcançamos os trabalhos com carteira assinada com os fins dos direitos que ainda nos sobram?
As pessoas negras morrem em sua maioria antes dos 65 anos, que é a idade mínima para se aposentar pela reforma da previdência proposta e muitas delas começam a contribuir com a previdência na casa dos 30 (sim, negros podem se aposentar aos 79 anos se contruibuir de acordo com Temer), e não estou dizendo isso da boca para fora, pesquisas apontam isso todos os dias.
A luta por um país sem desigualdade é justa e digna de mobilização, unidos temos voz e precisamos acreditar nisso. Porém a grande retórica aqui é: A VOZ PRETA TEM QUE ECOAR, a voz do morro tem que bradar em todos os lugares: atos, manifestos, redes, discussões, etc.  Afinal, foram a força dos braços e garra dos nossos antepassados que essa nação foi construída, e sim, não exagero e me orgulho disso.

Quase metade das pessoas de 16 anos ou mais de cor preta ou parda ocupadas estão em trabalhos informais: uma taxa de 48,7%, contra 34,7% na população branca, diferença que pouco se alterou ao longo da década e que na vida do jovem negro tende a permanecer (e eu digo isso por vivência e não por número pesquisados,sim, por ver ao meu redor).
Se você não acredita o ato hoje mostrou que os meus estavam vendendo água, cerveja, refrigerante e etc, enquanto, o restante manifestava. Sim, a carne do mercado ainda é a carne negra, sim o negro não foge do trabalho, mas também não tem os beníficios do fim dele. Fiz alguns registros do ato hoje, não como forma de expor ninguém e sim como forma de ecoar as nossas prioridades, que infelizmente, ainda não são vozes equinâmes. #JuntosSomosMaisFortesENãoPodemosNosEsquecer

Essas fotos são uma obra intelectual protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98.

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