Sobre Rafael Braga

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Toda uma vida é construída ou destruída em 11 anos, depende do ponto de vista e de escolha, mas quando não se tem escolha e você vira réu de um crime que você certamente não comentou, pode ter certeza que nesse caso a sua vida está condenaod a ruína. Quando a sua cor, jeito de vestir e falar, o lugar e a posição social que habita resume você a um único esteriótipo, o mesmo do jovem Rafael Braga.

Subjetivo, que faz malandro duvidar/desconfiar de todo esse movimento de liberdade a Rafael Braga Vieira. Onde uma imagética traça um perfil de quem seria Rafael, antes mesmo de conhecê-lo. O quanto de racismo tem nessa retórica, você pode responder?
Quem é Rafael Braga? Ah, você nem sabe quem é Rafael!? Não te culpo, é porque a mídia tradicional e hegemônica brasileira ainda faz pouco caso de notícias com cunho social, ela pauta tanto a nossa discussão que você nem sem comeve ou muito menos se lembra da Amarildo, Claúdia e tantos outros e outros que acontecem nas comunidades Brasil a fora. Mas como futuro jornalista e preto eu estou aqui no meu dever empático de te apresentar Rafael.

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Já falei o nome dele aqui 07 vezes, mas só pra vocês gravarem, Rafael Braga é o único brasileiro condenado pela jornada de protesto de junho de 2013 – por portar um frasco de desifentante e um outro de água sanitária. Depois de 3 anos e alguns meses cumprindo a pena em regime semi-aberto com tornozeleita eletrônica, Rafael, recebeu agora uma condenação por tráfico de drogas e associação ao tráfico. O tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-catador de lata a 11 anos e três meses de prisão e ao pagamento de multa de 1.687 reais. A Braga foi atribuído o porte de 0,6 gramas de maconha e 9,3 gramas de cocaína e um rojão. Após se revistado indo a uma padaria na Vila do Cruzeiro, na Penha , onde sua mãe morava. O mesmo poderia sim está portanto drogas para consumo próprio e isso não seria um mal, conhece vários amigos “Zona Sul” com porte acima do consumo próprio e não é condenado. E outra desde da nova lei AntiDroga (Lei. Nº11.343) de 2006, não é mais aplicada para punir o crime de porte de drogas para o consumo próprio, e sim, um advertência sobre os efeitos das drogas: como prestação de serviço a comunidade, medida educativa de comparecimento a programa e curso educativo, mas esse recorte amigo é só se você for branco. Quando você é preto, PM’s ameaçam joga drogas em sua conta, como foi no caso de Rafael.

Como Rafael Braga, existem tantos outros casos no Brasil, onde a seletividade do Sistema Penitenciário fala que você é condenado e pronto. Quantos Rafaels Bragas são presos no Brasil por serem Rafael Braga? Nos dois casos, Rafael foi preso apenas com base de um só versão, com base apenas na palavra da polícia. A mesma que agridem professores, estudantes, moradores de comunidade, etc… Eu mesmo já cheguei ouvir de um que “primeiro a gente bate para depois ver o que era, esse é o comando de toda missão!”

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Como eu sempre eu digo aqui no Canal: Unidos a gente fica mais forte e existe uma campanha dentro e fora das redes chamadas: “Pela Liberdae de Rafael Braga Vieira” que juntos podemos libertar o Rafael que não era manifestante, e foi preso político, que não era traficante, e está condenado com tal. Mas pelo Rafael que como todo homem preto e pobre antes de se deparar com a polícia tem que se justificar com um: “eu sou trabalhador!”, e sim, Rafael era alguém que trabalhava no centro do Rio como catador de material reciclável, e que muitas das vezes dormia na rua para não gastar grana para ir para casa e para acordar no “local de trabalho” para noutro dia começar a sua vida de catador.

E os meus?

RELATO PESSOAL SOBRE O ATO DO DIA 1º DE MAIO CONTRA REPRESSÃO, AS REFORMAS  E A VIOLÊNCIA POLICIAL

Em tempos de drogas pesadas como a aprovação no Parlamento dos ajustes fiscais por 20 anos, com o objetivo de congelar por duas décadas os gastos públicos, reduzindo as verbas para saúde e educação; a aprovação da lei das terceirizações do trabalho que revoga grande parte da CLT, reduzindo direitos, salários e garantias de trabalho; a reforma do ensino médio que reduz as disciplinas de ciências sociais, Além de tudo isso tem a futura aprovação da reforma trabalhista e reforma da previdência que acaba de vez com os direitos dos trabalhadores, que foram conquistados com muita luta na década de 40 do século passado.
Mas nesse 1º de maio uma coisa me chamava bastante atenção e comecei a indagar durante toda ato que acontecia de forma pacífica e ordeira na Cinelândia, centro do Riod de Janeiro. Dia tão representativo na vida do trabalhador brasileiro, um dia de descanso e de repor as energias que para muitos, sinônimo de férias inesperadas, ainda mais quando o feriado cai em um início de semana. Voltando na luta, de tirar um governo ilegítimo e com propostas autoritárias eu indaguei a seguinte pergunta: Será que os meus irão se aposentar? Vai dar tempo? Será que nós  alcançamos os trabalhos com carteira assinada com os fins dos direitos que ainda nos sobram?
As pessoas negras morrem em sua maioria antes dos 65 anos, que é a idade mínima para se aposentar pela reforma da previdência proposta e muitas delas começam a contribuir com a previdência na casa dos 30 (sim, negros podem se aposentar aos 79 anos se contruibuir de acordo com Temer), e não estou dizendo isso da boca para fora, pesquisas apontam isso todos os dias.
A luta por um país sem desigualdade é justa e digna de mobilização, unidos temos voz e precisamos acreditar nisso. Porém a grande retórica aqui é: A VOZ PRETA TEM QUE ECOAR, a voz do morro tem que bradar em todos os lugares: atos, manifestos, redes, discussões, etc.  Afinal, foram a força dos braços e garra dos nossos antepassados que essa nação foi construída, e sim, não exagero e me orgulho disso.

Quase metade das pessoas de 16 anos ou mais de cor preta ou parda ocupadas estão em trabalhos informais: uma taxa de 48,7%, contra 34,7% na população branca, diferença que pouco se alterou ao longo da década e que na vida do jovem negro tende a permanecer (e eu digo isso por vivência e não por número pesquisados,sim, por ver ao meu redor).
Se você não acredita o ato hoje mostrou que os meus estavam vendendo água, cerveja, refrigerante e etc, enquanto, o restante manifestava. Sim, a carne do mercado ainda é a carne negra, sim o negro não foge do trabalho, mas também não tem os beníficios do fim dele. Fiz alguns registros do ato hoje, não como forma de expor ninguém e sim como forma de ecoar as nossas prioridades, que infelizmente, ainda não são vozes equinâmes. #JuntosSomosMaisFortesENãoPodemosNosEsquecer

Essas fotos são uma obra intelectual protegida pelo art. 7º, inc. VII da Lei nº 9.610/98.

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