Ela não deu motivo!

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito, dezenove, vinte, vinte um, vinte dois, vinte três, vinte quatro, vinte cinco, vinte seis, vinte sete, vinte oito, vinte nove, trinta, trinta e um, trinta e dois, trinta e três… e outros 527 mil casos ou tentativas de estupros – um estupro a cada 11 minutos -, dos quais apenas 10% são denunciados à polícia, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

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São 130 casos registrado por dia no Brasil – será que em todos os casos as vítimas deram motivos? alguém pede para ser abusado sexualmente? alguém quer sangrar de dor e ter muitas das vezes sua primeira relação sexual com um monstro? quem quer ter a sua alma ferida e sentir pesadelos todos os dias?  alguém pede para ter medo ao sair?

A pauta do  Quase um Jornalista  não poderia ser outra nessa semana, uma  adolescente de 16 anos  foi vítima de um estupro coletivo em uma comunidade da Zona Oeste do Rio de Janeiro, uma jovem da minha universidade (UFRRJ) se suicidou por não aguentar ter o peso do estupro em sua mente, a pauta do blog não poderia ser outra.

No momento em que escrevo esse texto, no conforto do meu lar, uma menina, um menino, uma mulher e um homem gritam:  “PARA! NÃO FAZ ISSO COMIGO! POR FAVOR? O QUE EU TI FIZ? TÁ DOENDO! PARA, POR FAVOR…” e a maioria dessas pessoas, minutos ou segundos atrás, estavam na mesma tranquilidade a qual estava eu e você, sem dar nenhum motivo para que esse crime acontecesse.

O estupro coletivo que chocou o Rio de Janeiro e causou comoção nas redes sociais após imagens do crime terem sido divulgadas pelos próprios suspeitos no Twitter. Foi amplamente compartilhado nas redes sociais tem cerca de 40 segundos de duração e mostra a garota deitada e desacordada enquanto os rapazes conversam ao fundo. “Engravidou de 30”, diz um deles.

leia mais sobre o caso  – basta clicar

Não quero causar sensacionalismo, não quero se aproveitar da situação para ganhar seguidores, não quero nenhum protagonismo, o que realmente eu quero é o fim do assédio que os pais ensinam aos meninos para com as meninas, quero o fim do “ei gostosa!”, quero o fim do desrespeito no transporte público, quero o fim de ficar preocupado quando a minha mãe sair de madrugada para trabalhar e eu não saber o que pode acontecer com ela no caminho, com esse texto eu quero o fim da cultura machista opressora que motiva de fato o estupro.

13256448_714581958684297_6139332796565526612_n  O que é a “Cultura do estupro”?

Vem do termo “Rape Culture” que foi inicialmente utilizado pelas feministas dos Estado Unidos, na década de 70. O termo ‘cultura do estupro’ foi desenvolvido afim de mostrar com a sociedade culpava as próprias vítimas de abuso sexual e normalizava a violência sexual contra a mulher.

A cultura do estupor é um conjunto complexo de crenças que encorajam agressões sexuais masculinas e apoiam a violência contra a mulher. Na cultura do estupro, as mulheres vivem uma continuidade de ameaças violentas todos os dias que podem começar por cantadas de rua (assédios verbais com conotações sexuais) e levar até assédios físicos e/ou até mesmo ao estupro. A cultura do estupro está nas imagens, na linguagem (piadas, gírias, expressões, etc), nas leis, na TV –  filmes, séries, propagandas, comerciais e em outros fenômenos cotidianos que nós vivemos e testemunhamos todos os dias que fazem a violência contra a mulher parecer algo normal e nós acabamos acreditando que o estupro é uma coisa inevitável: que isso é “apenas a forma como as coisas são”.

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Estamos em luto e em luta pelo fim da Cultura do Estupro.

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