Receber é uma coisa, humilhar é outra!

Um novo ciclo se inicia na vida daqueles que deixam o título de estudante e passam a ser estudantes “universitários”. Alguns poetas dizem que ciclos se fecham para que outros se abram e como em um livro um novo capítulo comece. Na vida dos aprovados no vestibular, o primeiro capitulo se chama: o trote. O desenrolar desse capítulo é uma mistura de alegria, insegurança e uma série de dúvidas: “Será que vou ser bem recebido?” “Meu trote será pesado?”. Infelizmente, só terão as respostas quem vivenciar esse momento, que de fato, é um ritual de passagem muito importante.

A recepção, as brincadeiras, as tintas, a oportunidade de aumentar os laços de amizades e as fotos clichês na redes sociais, sem dúvidas são momentos marcantes na vida de muitos calouros. No entanto, essas marcas podem ser doloridas e com uma cicatrização lenta para outros, ou em alguns casos, elas nunca cicatrizam. Como aconteceu no primeiro trote registrado no Brasil em 1831 durante a recepção dos novos alunos da Faculdade de Direito de Recife, atual Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) que levou a morte do calouro Francisco Cunha e Menezes, relatado no livro: “Trote na Universidade: Passagens de um rito de iniciação” do pesquisador e professor da UFSCAR, Antônio Alvares Soares Zuin.

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A minha foto clichê

Apesar da origem do trote e do seu nome remeter a domesticação do cavalo para o mesmo aprender a trotar, ele sempre existiu mundo afora e seu nome já está enraizado em nossa sociedade, porém é fundamental tanto o veterano quanto o calouro terem em mente que não existe uma relação de poder ou superioridade de um sobre o outro e que não existe “trote pesado”, pois tudo que vai além de um integração de alunos antigos e novos alunos é considerado crime de acordo com a lei de nº2538, sancionada em 1996 no Estado do Rio de Janeiro que proíbe o trote que expõem o calouro a humilhação e a danos físicos ou materiais
Jogar fezes, xingar, agredir, abusar sexualmente e entre outras barbáries, não é recepção e sim humilhação. É crime e os responsáveis devem ser denunciados e punidos pelo ato de tamanha estupidez. Respeitar a integridade psicológica e física, considerar os limites individuais e o bem-estar de cada pessoa é um dever de todos.

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