Vôo da TAM com ataques racistas

O racismo não é algo velado no Brasil, mas é pulsante.

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Os coletivos envolvidos já acionaram a justiça e contam com o apoio da sociedade para dar visibilidade ao caso.

 

Na último sábado (19/12/2015),aconteceu uma cena que não queremos ver, mas que infelizmente acontece diariamente, o racismo. Onze passageiros de um vôo da TAM sofreram ataques de formas indiretas e subversivas. Um grupo de passageiros negros se sentiram ofendidos, pois um homem, que ocupava as primeiras poltronas da aeronave, teria enviado uma mensagem ofensiva para o amigo que estava próximo ao grupo. E o segundo teria lido em voz alta frases racista.

“Depois que começaram a vender passagens nas Casas Bahia, ficou foda andar de avião!”

O mesmo homem teria, em uma segunda mensagem ao amigo, escrito referindo-se a uma das jovens negras do grupo.

Pede pra trocar de lugar com a feinha aí”

 

 

Os jovens artistas do coletivos da periferia de São Paulo  com qualquer outra pessoa moradoras de bairros periféricos que estivessem naquele avião, se sentiram ofendidos. Eles que voltavam da 3ª Conferência Nacional da Juventude, encontro que reuniu mais de 4 mil jovens de todo país em Brasília, para discutirem diversos problemas, tais como opressão e a problemática da questão racial do Brasil, não deixaram esse fato passar impune.

A partir disso os jovens assim que perceberam que estavam sendo vítimas de discriminação retrucaram e o agressor atacou mais uma vez:

“Para andar de avião, a pessoa tem que se comportar direito”.

Com a discussão, os comissários de bordo intervieram e ameaçaram chamar a Polícia Federal. Os jovens foram incisivos em concordar que se chamasse a PF, já que estavam sendo vítimas de racismo, crime inafiançável no Brasil. A tripulação não acionou a polícia, promoveu mudança de lugares dos agressores e o vôo seguiu. No entanto, durante a viagem, os jovens perceberam que um dos agressores fora convidado pelos comissários a conversar separadamente sobre o ocorrido, atrás das cortinas do serviço de bordo e a discussão recomeçou.

“Porque a tripulação ouve e trata com privilégio os agressores e não os agredidos?”

Quando o vôo que vinha de Brasilia, aterrizou em São Paulo com 14 minutos de atrasos, o grupo de artistas resolveu promover uma intervenção artística ainda dentro do avião, com um recital da poesia “Somos”, de autoria de Juliana Rodrigues, a Afro Ju, uma das jovens agredidas durante o vôo.

Enquanto o grupo recitava, um dos outros passageiros que afirmou está “incomodado”com o atraso do vôo e com o conteúdo dos versos, gritou palavras como:

“Vitimistas! Mini Marxistas! Viva Bolsonaro 2018!”

– questionou o grupo de jovens.

Segundo informações do posto da Polícia Federal do aeroporto de Congonhas, o desentendimento aconteceu com dois grupos, sendo um de nove pessoas e outro de duas. Ali foi feito o primeiro atendimento e os envolvidos e nove testemunhas foram para a Superintendência, que fica na Lapa.
A grande Mídia que não se aprofundou em momento algum e só mostrou o quanto o racismo ainda é tratado como um mero acaso.Em matéria publicada pelo G1 houve uma grande manipulação dos fatos. Segue na íntegra a entrevista que foi concedida por uma das companheiras envolvidas, junto ao link da matéria publicada pelo G1.

MATÉRIA DO G1: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/passageiros-sao-ouvidos-pela-pf-em-congonhas-apos-tumulto-em-voo.html

Por nota, a TAM diz ter chamado a PF “por conta de comportamento indisciplinado” e não por causa do racismo. O voo 3705 saiu de Brasília as 15h09, com 14 minutos de atraso, e chegou em Congonhas as 16h35.

#RACISTANÃOPASSARÃO

 

 

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